Um bebé de apenas cinco meses faleceu na sexta-feira, 20 de Fevereiro, após complicações registadas durante um procedimento que antecedia uma circuncisão no Hospital Geral do Bengo.
Por Hermenegildo Caculo
Segundo informações avançadas pelos familiares, a criança deu entrada na unidade hospitalar 19 de Fevereiro de 2026, apenas para realizar a circuncisão. No entanto, o procedimento cirúrgico não chegou a ser efectuado, uma vez que o bebé começou a convulsionar imediatamente após a administração da anestesia local.
De acordo com um vídeo feito no local e partilhado pelos familiares nas redes sociais, terão sido administradas três seringas, cada uma de 5 ml de anestesia no pénis e na virilha (região inguinal) da criança (totalizando 15 ml de anestesia).
A família manifesta preocupação quanto à quantidade aplicada, considerando que a referida dosagem poderá ter sido excessiva para um bebé de cinco meses, tendo em conta o seu peso e idade.
Após a aplicação do fármaco, o bebé teve sucessivas crises de convulsões, que levaram ao agravamento do seu estado clínico e ao seu internamento na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), onde o foi submetido a ventilação mecânica (entubação endotraquial), onde permaneceu até falecer.
De acordo com os familiares, o bebé faleceu às 10h da manhã do dia 20/02/2026, porém os mesmos só foram informados pela direção do hospital às 20h do mesmo dia, com a justificação de que o bebé sofreu um choque anafilático. A justificação apresentada pela Direção Clínica do Hospital levanta suspeitas aos familiares do bebé, pelo facto do procedimento inicialmente conduzido pela equipa médica, demonstrar fortes indícios de erro e negligência médica.
Importa ainda realçar, que o referido procedimento foi realizado pela médica Julice Adolfo Simão, licenciada em Medicina Geral, e que por sinal é esposa do Director Clínico do mesmo hospital, Cláudio Eufrásio de Oliveira Simão, que leva a crer aos familiares que o hospital deseja abafar tal situação.
A família registou queixa junto do Serviço de Investigação Criminal (SIC) por se sentir lesada e igualmente solicita ao Ministério da Saúde (MINSA) e às autoridades competentes, que seja aberta uma investigação rigorosa e transparente para apurar as circunstâncias e a actuação de toda equipa médica envolvida.
Até ao momento, não houve pronunciamento oficial sobre o caso, por parte da direção geral do Hospital Geral do Bengo.

